Comunidade Servos de Maria do Coração de Jesus

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Vontade própria...

Vontade própria...

Aqueles que já chegaram à perfeição da santidade nos ensinam que o caminho é “fazer a vontade de Deus”.

Isto nos santifica porque nos conforma com Jesus, o modelo da santidade. É impressionante observar o zelo que Ele tinha em cumprir a vontade do Pai. A própria Encarnação foi a maneira que Jesus encontrou para, como Homem, fazer perfeitamente a vontade de Deus, que Adão não quis fazer. A Carta aos hebreus nos diz que: “Ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10,5-9). “Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Cristo” (Hb 10,10).

Da mesma forma, cada um de nós, quanto mais e melhor cumprir a vontade de Deus, mais se santificará.

São João da Cruz, disse: “Mesmo que realizes muitas coisas, não progredirás na perfeição, se não aprenderes a negar a tua vontade e sujeitar-te, deixando a preocupação de ti próprio e das tuas coisas”.

A primeira coisa que temos de compreender, e aceitar na fé, é que a vontade de Deus nem sempre, ou quase sempre, não coincide com a nossa. E aí está o primeiro passo de santificação: a nossa humilhação própria diante de Deus, abdicando do que nós queremos, para fazer o que Deus quer. É o que São Paulo chamava de “a obediência da fé” (Rom 1,5), sem o que é “impossível agradar a Deus” (Hb 11,6), já que o “justo vive pela fé” (Hab 2,4; Rom 1,17).

Nada agrada mais a Deus do que trocarmos, consciente e livremente, a nossa vontade pela d ‘Ele. Quando damos esse passo, na fé, Ele substitui a nossa miséria pelo Seu poder infinito. Portanto, é preciso a cada dia, a cada passo, em cada acontecimento da vida, ir fazendo esse exercício contínuo de aceitar a vontade do Senhor, que sabe o que faz. São Bernardo disse: “Se os homens fizessem guerra à vontade própria, ninguém se condenaria”. Este é o segredo para se abandonar aos desígnios de Deus: ele é Pai, ele nos ama, ele quer só o nosso bem, por mais adversas e incompreensíveis que sejam a situação que vivemos. Ele está no leme do barco da nossa vida. É preciso confiar!

O profeta Isaías disse: “Meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor, mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos” (Is 55, 8-9).

A lógica de Deus é diferente da nossa porque Ele vê todas as coisas, perfeitamente, enquanto a nossa visão é míope e limitada. Não podemos duvidar de que a vontade de Deus para nós “é a melhor possível”, mesmo que nos seja incompreensível no momento. Santo Agostinho dizia que Deus “permite o mal para evitar um mal ainda maior”. E Santo Afonso de Ligório, resumia tudo dizendo: “Fazer o que Deus quer, e querer o que Deus faz”.

 

Ninguém chegará à santidade se não amar a vontade de Deus e se não glorificá-la. É o que levava São Paulo a ensinar: “Em todas as circunstâncias dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus” (1 Tes 5,18). O Apóstolo insistia muito nisso; dar graças a Deus em tudo é o que alegra ao Senhor, pois é o melhor testemunho de fé que lhe damos. Esta atitude consciente elimina a tristeza da nossa vida, arranca do nosso coração o mau humor, a impaciência, a grosseria com os outros, etc. É nessa perspectiva que S. Paulo dizia: “Ficai sempre alegres, orai sem cessar”. Por tudo dar graças. (1 Tess 5,16).

Não seremos felizes de verdade e não teremos paz duradoura, sustentada, enquanto não nos rendermos à santa e perfeita vontade de Deus.

O santo vive na paz e na perene alegria, embora caminhando sobre brasas muitas vezes. São João Bosco dizia que “um santo triste é um triste santo”, e o seu discípulo, São Domingos Sávio, dizia que a santidade consiste em “cumprir bem o próprio dever e ser alegre”. Essa alegria, muitas vezes inexplicável para nós, é sustentada no abandono nas mãos de Deus, como a fé do salmista que exclamava: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Sl 22,1). Ainda, “Se meu pai e minha mãe me abandonarem, Deus me acolherá” (Sl 26,10).

São Paulo, que sabia dizer muitas coisas com poucas palavras, perguntava: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rom 8,31). E o Apóstolo explicava a razão dessa esperança: “Aquele que não poupou o seu próprio Filho (…) como não nos dará com Ele todas as coisas”? (8,32). “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13).

É nessa mesma fé e esperança que o santo vive; a cada instante repetindo para si mesmo aquela palavra do Senhor: “Não vos preocupeis por vossa vida … Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? … São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso” (Mt 6,25-32).

Em seguida Jesus ensina o que é essencial: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua Justiça” (6,33), isto é, fazer a vontade de Deus. Nisto se resumia a vida de Jesus. Muitas vezes ele falou sobre isso aos discípulos: “Desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade d’Aquele que me enviou” (Jo 6,38).

Quando na Samaria, na hora do almoço, na ocasião do encontro com a samaritana no poço de Jacó, os discípulos lhe disseram: “Mestre, come”, Ele respondeu-lhes: “Tenho um alimento para comer que vós não conheceis (…) Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra” (Jo 4,31-34). Este há de ser também “o alimento” daquele que aspira a santidade, fazer a vontade do Pai.

Em outra ocasião Jesus disse aos discípulos: “… Não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5,30). E mais: “O mundo deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai me ordenou” (Jo 14,31). E constantemente relembrava aos seus discípulos isso: “Pois o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).

A total disponibilidade de si mesmo para cumprir perfeitamente o desejo do Pai, fazia-o esquecer-se completamente de Si. Àquele homem que quis segui-lo, Ele disse: “As raposas têm as tocas, e as aves do céu, ninho; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20); isto é, não tem tempo para si mesmo, mas apenas para o Pai.

Quando lhe disseram que a sua mãe, os seus irmãos e irmãs o procuravam, Ele respondeu: “Quem é minha mãe e meus irmãos? (…) Quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mc 3,35). Vê-se, com clareza, que tudo para Jesus se resumia em cumprir a vontade do Pai. Não foram poucos os exemplos que nos deixou sobre isso.

No Sermão da Montanha, Ele foi claro: “Nem todo aquele que me diz “Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). E Jesus diz que a esses, mesmos que tenham profetizado em seu nome, expulsado demônios e feitos muitos milagres, mesmo assim Ele lhes diria: “Apartai-vos de mim, operários maus” (7,22-23); isto é, fazendo todas estas coisas santas, não levastes uma vida irrepreensível, não fizestes a vontade de Deus.

Sobretudo é na hora da Sua sagrada Paixão que Jesus cumpre perfeitamente a vontade do Pai.

(Lc 22,39-46) - Primeiro Ele alerta para não cair na tentação e pede para rezar: “Orai para que não caias em tentação”. E em seguida se abandonou nos braços do Pai: “Pai, se é de teu agrado, afasta de mim esse cálice! Não se faça todavia, a minha vontade, mas sim a tua.” Quando Ele se colocou debaixo da vontade do Pai, já recebeu o auxílio necessário para superar a prova: “Apareceu-Lhe então um Anjo do céu para confortá-Lo”.

Ele entrou em agonia e daí intensificou suas orações, e nós o que fazemos quando isso acontece conosco? Fugimos! Luc 22,44

Ao encontrar os discípulos dormindo, alerto-os novamente: “Por que dormis? Levantai-vos, orai, para não cairdes em tentação”

Quantos alertas recebemos? Quantas chamadas de atenção, não fazemos caso e continuamos da mesma forma?

A mesma passagem Bíblica, mas agora narrado por São Marcos(14, 41), Jesus ao encontrar os discípulos dormindo diz: “Basta! Veio a hora! Ou seja, não há mais o que fazer!

A Escritura precisava se cumprir, porém, tiramos como ensinamento que, Jesus sofreu pela falta de prontidão dos discípulos: Eles dormiram, correram, traíram, negaram...

Quando ensinou os discípulos a rezarem, entre os sete pedidos do Pai-Nosso colocou este: “Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6,10). A vontade do Pai deve ser perfeitamente realizada na terra como é no céu. Quando isto acontecer, então o Reino dos céus estará na terra plenamente.

Com a sua vida e o seu exemplo o Senhor deixou claro o eixo principal da santificação: cumprir a vontade de Deus.

Os santos aprenderam essa lição muito bem, e a viveram. Santo Afonso de Ligório dizia que: “Se estivermos unidos à vontade divina em todas as tribulações, é certo, vamos nos tornar santos e seremos os mais felizes do mundo”. E aconselhava: “Não se preocupe em fazer muitas coisas, mas procura realizar perfeitamente aquilo que ache ser a vontade de Deus”.

E quando definia o que era a santidade, afirmava: “A santidade consiste: primeiro, numa verdadeira renúncia de si mesmo; segundo, numa total mortificação das próprias paixões; terceiro, numa perfeita conformidade com a vontade de Deus!”. E não se cansava de ensinar aos seus filhos: “As almas fortes e desejosas de pertencer só a Deus não lhe pedem senão luz para discernir a sua vontade e força para a cumprir perfeitamente”. Para o Santo doutor era certo que: “Agrada mais a Deus a imolação que fazemos de nossa vontade, sujeitando-a à obediência, do que todos os outros sacrifícios que possamos lhe oferecer”.

Para cumprir bem a vontade de Deus é preciso duas coisas: primeiro, viver os seus mandamentos; segundo, aceitar os acontecimentos da vida, com fé e sadia resignação.

Na última Ceia Jesus disse a seus apóstolos: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). Quem não luta para guardar os mandamentos de Deus, não ama a Deus e não pode chegar à santidade. Os mandamentos são exatamente o caminho da conduta moral que nos leva à perfeição querida por Deus. Fazer a vontade de Deus é obedecer e fazer o que manda a Igreja, que Jesus deixou como nossa Mãe e Mestra nesta vida. Ele deixou claro para os seus Apóstolos: “Quem vos ouve, a Mim ouve. Quem vos rejeita a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita aquele que Me enviou” (Lc 10,16). Desobedecer a Igreja e os seus ensinamentos, é o mesmo que desobedecer a Jesus, e não cumprir a vontade de Deus.

São Francisco de Sales resume tudo quando diz: “Não penseis já ter chegado à perfeição que deveis possuir enquanto vossa vontade não estiver completamente, mesmo nas coisas mais difíceis, submissa alegremente à vontade de Deus”. E ele ensina que o caminho mais seguro para se cumprir a vontade de Deus é a humilde obediência.

O que nos faz sofrer nesta vida é o apego à nossa vontade. Sofremos quando não conseguimos realiza-la. São Bernardo disse que: “Quando se vê uma pessoa perturbada, a causa da preocupação não é outra coisa senão a incapacidade de realizar a própria vontade”. Quando deixamos a vontade de Deus de lado para fazermos a nossa nos tornamos: tristes, vazias, indiferentes, com medo...

Quem repousa na vontade de Deus passa por diversas provas, porém, tem a confiança e pleno abandono à Sua santa vontade e isso gera uma grande liberdade interior.

Certa vez o abade de um mosteiro quis saber de um monge de vida muito simples, sem grandes penitências, como ele operava tantos milagres, que deixava a todos surpresos. O santo monge respondeu: “Sou o mais imperfeito dos meus irmãos e só procuro fazer uma coisa: conformar-me em tudo com a vontade de Deus”.

O segredo da santidade do monge estava em aceitar, com heroísmo, em tudo, a santa vontade de Deus.

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