Comunidade Servos de Maria do Coração de Jesus

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Você se alegra com a alegria do seu próximo?

Você se alegra com a alegria do seu próximo?

Você sempre diz que está feliz com o crescimento do outro, porém, quando nosso irmão alcança uma felicidade, uma grande alegria, uma conquista há muito tempo almejada, muitas vezes a inveja e o mal-estar toma conta de nós. Verdade ou não?

Na maioria das vezes, não somos capazes de admitir isso em voz alta. Simplesmente daremos alguns parabéns calorosos, enquanto sentimos que por dentro algo se retorce. Ou até tentamos minimizar a sua conquista, colocando um “mas”, ou um “cuidado, não é o que você pensa”. No fundo, sabemos que o seu triunfo gera uma certa frustração em nós. 

Por isso é tão difícil colocar, verdadeiramente, em prática, aquilo que o apóstolo Paulo nos fala em Romanos 12,15: Alegrarmos com os que se alegram...

Infelizmente, dentro de nós habita o pecado, a carne, e uma de suas manifestações mais pujantes desta realidade é a inveja, talvez um dos pecados que muitos não tenham coragem de admitir em público, nas partilhas pessoais, e as vezes, até nas confissões.

Um pensador diz: a inveja é a amargura que se sofre por causa da felicidade alheia. Nesse mesmo pensamento, podemos identificar que a inveja tem uma irmã siamesa: a necessidade que temos de sermos reconhecidos.

E isso acontece porque, uma das características mais marcantes do ego do ser humano é a necessidade, quase a todo tempo, estar em um cansativo sistema de comparação com outras pessoas, que não tem fim e assim fica pronto para gerar mágoas e dores interiores. No fundo, em muitas ocasiões, desejamos ser o centro da atenção, e, se alguém o é em nosso lugar, mudamos com essa pessoa e passamos a ter dificuldades com elas.

Assim, até aquele momento em que as pessoas do nosso convívio não nos “ameaçam”, na nossa ótica, por estarem com problemas mais graves do que os nossos, ou passando tragédias nas suas vidas, está tudo bem.

Agora, quando ocorre exatamente o contrário e alguns começam a se destacar mais do que nós, aí ficamos “doentes” por dentro, ainda que não tenhamos a capacidade de admitir isso, como dito anteriormente.

A Bíblia é riquíssima em histórias de como a inveja causou tragédias sem fim. Pegue a história do Rei Saul que invejava o Rei Davi (1 Samuel 18), este que invejava o seu próprio soldado por ser casado com a bela Bate-Seba; os irmãos de José que o venderam por ser o preferido do pai (Gênesis 37), etc.

Não que nossa individualidade egoística desapareça depois que a entendemos completamente. Isso não vai acontecer. Ego bom é ego educado, rendido, não num sentido de submissão forçada, mas sim de uma escolha, humilde, consciente e inteligente. Uma luta pessoal para ser diferente e mudar de vida. Essa é a perfeição que buscamos.

E uma das armadilhas do ego mal educado que pega muita gente é quando a felicidade alheia nos incomoda. Fala a verdade, quando se está infeliz, contemplar o sucesso de outrem é algo frustrante, machuca. Ainda mais quando esse sucesso é exatamente aquele tão sonhado por nós. É um grande desafio lidar com isso, lidar com essas verdades que muitas vezes não queremos enxergar.

Humildade é um ingrediente chave, importantíssimo. É ela que nos ajuda a reconhecer nossos limites, fraquezas, comportamentos anti-evolutivos. A ser quem somos honesta e sinceramente. Sem humildade uma pessoa não é capaz de olhar para si mesma de forma justa e admitir que precisa corrigir algo. Quem não é humilde sequer consegue enxergar seus erros, porque sem humildade o orgulho se torna senhor do indivíduo, a arrogância transforma-se em sua carapaça protetora, impedindo-o de transcender suas próprias limitações.

Daí é que nasce a inveja, que nada mais é do que a observação de um bem alheio (seja ele qual for) a partir do ego inflado, arrogante, mal educado, orgulhoso, soberbo. Já a partir de um estado de conversão pessoal, a observação do sucesso na vida do irmão é pura apreciação. Porque podemos reconhecer a Graça de Deus na vida desse irmão e nos alegrar com ele. Essa atitude faz parte de um coração que busca a conversão verdadeira.

Há dois caminhos, ou você observa alguém fazendo sucesso, sente aquela invejinha, mas reage com maturidade, e faz da situação, um impulso, motivação, inspiração pra você crescer também ou, se detona com aquilo e escolhe frustrar-se a partir da observação desse bem manifestado na vida de outrem. Porque no ego inflado, o outro ganhar implica em eu perder. Percebe que as reações são frutos das ideias que carregamos? Os pensamentos que nutrimos constroem nossa personalidade e definem nossos comportamentos e atitudes. Porque tudo o que fazemos aqui fora é sempre pautado, inspirado naquilo em que acreditamos lá dentro.

E concluindo, quando a felicidade do outro te incomodar, é porque está mexendo com sua zona de conforto, com o seu comodismo. Então, é hora de agir. De se sentir estimulado a levantar-se da cadeira da acomodação e mudar, primeiro dentro e depois fora.

Vamos agradecer a Deus o que temos e nos alegrar com a alegria do outro... faz bem a saúde!

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